Administrar bem o meu tempo: “Trajetória difícil, vitória admirável”

Administrar bem o meu tempo: “Trajetória difícil, vitória admirável”

Administrar bem o meu tempo: “Trajetória difícil, vitória admirável”.


Quando eu conheci o Stephen Covey, pela leitura de um dos livros que ele escreveu – Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes – eu me apaixonei. Tinha lógica. Quando eu digo que tem lógica, não quero dizer que “está certo” mas que, pelo menos, oferta uma experiência para o pensamento e o sentimento – e quando partimos de uma experiência podemos avançar para o que faz ou não sentido e tem ressonância para o nosso processo de evolução. Todo autor, acredito, ama um debate sobre o que ele escreve. Quando eu leio fico imaginando um bate-papo e fico questionando os parágrafos que mais me tocam.

Ontem eu estava atendendo uma pessoa – mega dedicada ao trabalho, estudiosa e realmente destacada no seu segmento e na vida de modo geral e o nosso papo era sobre as famosas “prioridades” para administrar melhor o nosso tempo. E nesse quesito eu sei que trago uma  polêmica e também um contraponto ao que o Covey traz no livro – que acaba por dividir as atividades em mais ou menos importantes. Eu, pessoalmente, não acredito que haja uma atividade mais importante do que a outra: tudo importa, tudo tem que ganhar a mesma importância, tudo tem que ser bem feito, com capricho e atenção. Quando damos mais importância para uma atividade do que para outra caímos na velha armadilha da comparação – é como se fazer o que parece pequeno fosse menos importante: a partir de quando nos tornamos escravos de tudo o que parece grande. Subestimamos a importância do detalhe, do processo, da consistência. Não tem aquela “é fazendo o básico, que sofisticaremos”?

O maior problema para a felicidade e para como usamos o nosso tempo é o quanto estamos atrelados ao pensamento de que uma trajetória árdua – em que esquecemos de nós – vale o preço da “vitória admirável” que conquistamos no olhar do outro – que acha que fomos felizes na trajetória. A gente acaba achando normal uma vida triste porque um dia ela nos trará admiração, mesmo que estejamos cativando um baixa autoestima.

Outro dia eu tinha um compromisso de trabalho. Minha barriga está crescendo bastante, minhas pernas andam mais doloridas e já partindo pro nono mês da gravidez, até meu pensamento está mais devagar. A equipe me mandou mensagem dizendo que ligaram cancelando o evento e eu pensei: que bom pra mim, que ruim para o negócio. Observei aquele pensamento e pensei: será que eu já deveria ter começado meu descanso antes?

Eu debato com o Covey a questão de administrar o tempo com base em prioridades, mas concordo em total correspondência com o quarto dos sete hábitos, quando ele diz: “pense ganha-ganha”.

Por que vivemos situações boas para alguém e ruins para nós, ou boas para nós e ruins para alguém? Quando fazemos para o outro, o fazemos para nossas vidas – então, realmente isso não tem lógica.

Acredito que precisamos fazer perguntas cada vez melhores para as nossas vidas. Como, por exemplo, viver uma relação saudável e feliz? Como equilibrar minha vida de formas a trabalhar com felicidade e promover alegria para os demais? E, partindo das respostas, quais ações precisarei enfrentar para viver uma vida em que todos estão bem, em quem 1+1 é igual a 3 – e, desapegados do próprio ponto de vista, flexíveis diante de nossas crenças, o quanto estar errado pode ser saudável e o quanto pensar ganha-ganha, como princípio, pode ser libertador?!


 

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