Paraguay é Muy Bom

Paraguay é Muy Bom

Muito novinha, eu já fazia um estilo “careta”. Sempre amei esportes e adorava a minha turma, mais do que tudo. Lá em casa a mãe sempre incentivou o papo aberto sobre tudo – fui esclarecida sobre bebidas e drogas – e ficou claro que esse caminho não me ajudaria a ser uma pessoa melhor.

Com menos de 10 anos, já tinha presenciado cenas que constrangeram minha alminha de criança, então minha decisão sobre uma vida em que “não bebo, não fumo, não faço nada de errado” já estava enraizada.

Em meu aniversário de 11 anos, aconteceu uma festa na minha casa. Na época eu tinha uma melhor amiga – que havia cursado toda quinta série comigo – com quem compartilhei recreios e algumas idas na casa uma da outra. Pouco antes de cantar parabéns ela me chamou em um canto, na subida da escada que levava para a cozinha, e disse: “Vá, tenho uma coisa muy boa pra te apresentar!”

Curiosa, descobri que a novidade era a chance de curtir meu aniversário fumando maconha – para entender o muy bom da vida. Disse objetivamente que, se ela precisasse de ajuda eu estaria ali, mas que ou ela era minha amiga ou optava por me oferecer aquele caminho. E ela escolheu a segunda opção, e meu coração ficou partido.

Semana passada definimos a compra de três computadores aqui para a empresa. O modelo precisa ser um tipo sem fios e gabinete – que chama-se all in one – em função do desenho sala. O caso é que o tal computador, do modelo que precisamos, não existe mais no Brasil – mas é vendido no Paraguai. Bem rapidamente surgiram duas oportunidades muy boas de pessoas trazerem os computadores.

O preço de lá sairia pela metade, em comparação com o valor no Brasil, isso se eu não pagasse os impostos e os trouxesse clandestinamente.

Fico pensando em minha conversa com Deus quando algum cliente decidisse por não me pagar os serviços. Que argumentos usar quando alguém não cumpre o combinado, se eu também não fiz isso em minha vida? Justo é o justo. Se eu tiro do um, o tiro de mim – somos todos uma coisa só.

Aqui a gente já conhece como nossa essência funciona e decidimos manter os notebooks até que eu possa ou pagar pelo valor completo do que eu sonho, ou esperar por um lançamento do modelo que queremos.

Muita gente pode dizer que a taxa de importação é absurda, e eu preciso concordar, mas são duas coisas diferentes. Ou eu me envolvo na procura por uma mudança ou eu simplesmente concordo e cumpro o que está acordado.

Muy bom é uma vida em que a gente mantém o sonho sem corrompê-lo em sua construção. Uma base sólida nos mantém elevados e de pé. Mesmo com embalagens de amizade e proposta de camaradagem “a la clandestinagem”, nossos valores devem nos manter alinhados e nos salvaguardar um papo orgulhoso com Deus.

 

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Ótimo dia!

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