O amor é uma soma de três fatores fundamentais: liberdade, reciprocidade e compaixão

O amor é uma soma de três fatores fundamentais: liberdade, reciprocidade e compaixão

Meu sobrinho ainda tem 10 anos e não tem o hábito de tomar refrigerante. Mas tinha Fanta na casa da mãe no fim de semana, e ele ficou curioso. Contei para ele que não tomo refri desde meus 15 anos e que – em tom de risada – ele poderia “errar com ele” mais cinco anos, que estaria tudo bem. Perguntei se ele sabia o que é o livre-arbítrio, e logo percebi que me aprofundei demais, afinal era só um copo de refrigerante. Ele estranhou a expressão, dizendo que não sabia do que se tratava. “Titia Vá” entrou em ação e o desafiou a pesquisar durante a semana para debater no próximo encontro de família.

Eu realmente acredito que o amor é uma soma de três fatores fundamentais: liberdade, reciprocidade e compaixão.

Quando falo da liberdade, me refiro à necessidade que temos de expressar nossas opiniões, verbalizar nossas necessidades e fazer escolhas que correspondam aos nossos valores. Quando somos livres, também somos responsáveis por nossas decisões e suas consequências. Portanto vem com a liberdade um supersenso de responsabilidade: isso que estou escolhendo é o que quero para mim?

Já não era mais tão nova quando, fazendo um curso, a professora me perguntou se eu preferia ajudar quem NÃO quer ajuda ou ajudar quem quer. Muito valente e até orgulhosa, respondi que preferia ajudar quem não quer ajuda. Qual a sua lógica, Vanessa?!

— Professora, se eu conseguir ajudar quem não quer ajuda, será muito fácil ajudar quem quer — eu disse.

A minha inocente lógica partia do pressuposto de que se eu fosse capaz de resolver a equação mais complicada, seria capaz de resolver todos os problemas. Talvez minha virtude viesse dessa pesquisa profunda e entrega total para a tentativa de entendimento do ser alheio à possibilidade de ser ajudado. O que o impede? Qual tipo de dor ele viveu? Assumir que é perda de tempo debater, pesquisar e devotar tempo, que tudo isso não levará a lugar algum, foi, e eventualmente é, um tipo de angústia que eu carrego – que me faz caminhar para o próximo passo do amor, que é a compaixão.

Ricardo e eu conversávamos sobre meu mais antigo sonho – de me tornar presidente da República – e na conversa ele me disse que muitos vão dizer que eu dependo de muita gente para ajudar a transformar a realidade. Mas a próxima revolução é a revolução humana individual – quando o indivíduo procurará pelo correto, quando ele voltará para si, para sua família e para sua comunidade – e deixará de depender do outro. Jamais adiantará nosso melhor discurso, nosso texto mais bem escrito em um “debate democrático” – que leva injustamente este nome. Se nós nunca colocarmos nossas crenças sob perspectiva e a vida terminar com os mesmos pensamentos com os quais começamos, não sei se teremos feito bom uso do nosso tempo.

O ser humano, sob autoanálise, é capaz de perceber o que de fato importa, e nenhum valor ou poder será capaz de desviá-lo da porta estreita de sua evolução íntima e expansão de sua consciência. Enfrentaremos nossas fraquezas, nossos segredos e, ao descobrir e desbravar nosso elo mais fraco, seremos capazes de fazer as mudanças necessárias. Assim, cada um construirá sua própria presidência: livres em reciprocidade de valores e dotados do poder de sua própria compaixão.

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Abraços de toda equipe Vanessa Tobias.

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