Coluna Revista Versar : Espelho, espelho meu

Coluna Revista Versar : Espelho, espelho meu

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Sou fã de uma frase que diz que só vemos nos outros o que carregamos em nosso coração. É inteligência usar o que o outro nos faz sentir para nosso autoconhecimento. Em 2012 comecei um curso com um mestre espetacular. Na ocasião, empolgada com a chance de aprender com ele e conhecendo o tamanho do investimento de tempo e de dinheiro que estava fazendo, saía de casa com toda garra para ser muito dedicada. Então eu fazia perguntas, eu pedia feedback, eu realmente me esforcei – e estava orgulhosa.

Em uma das aulas, uma das alunas desabafou seu desconforto com a minha presença, dizendo que eu “perguntava muito”. No final de cada lição o professor dizia: “Alguém quer fazer alguma pergunta?” Eu ficava quieta, ninguém falava nada, daí eu perguntava. Na verdade eu ficava pensando comigo: Meu Deus, ninguém vai falar nada? Um mestre desse! Eu tenho mil perguntas! – e então perguntava.

Desenvolvi a partir daquela experiência uma ferramenta íntima para lidar com momentos em que me sinto julgada ou momentos em que começo a julgar alguém. Aquela menina do curso falhava em pensar em si mesma – como eu falho muitas vezes, então nem éramos tão diferentes! Encolhida no seu canto, apontava para o seu oposto, desprovida da coragem.

Na época eu não tinha nem sabedoria nem a compreensão de que, muitas vezes, quem esbraveja também ama. Que ela jamais teria sido grosseira se estivesse de bem consigo mesma. Nada nos custa a elegância de um feedback de canto, um diálogo relativamente desconfortável mas curador, que confronta a verdade: “Olha, quero falar mas não sei como, você me incomoda… queria não sentir isso. Me desculpe”. Ou algo do gênero.

 

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